Discriminação Orçamentária

A discriminação orçamentária merece grande atenção do orçamentista de obras, pois diante de centenas ou milhares de serviços a orçar, sempre existe a possibilidade de se elaborar uma planilha orçamentária confusa, que não facilite a compreensão da obra pelo cliente e demais interessados.

A “decomposição” da obra

A técnica da decomposição pode ser aplicada na definição de uma discriminação orçamentária, para dividir a obra em partes menores, de acordo com um critério lógico.

As principais diretrizes para a decomposição da obra são: (1) a fase construtiva do serviço, (2) o agrupamento em função da natureza ou tipo dos materiais aplicados ou (3) as principais “entregas” do projeto.

Geralmente, o primeiro nível da decomposição é denominado de “Etapa”, o segundo nível é chamado de “Atividade” e os serviços relacionados no terceiro nível. Alguns adotam uma estrutura de 4 níveis.

As partes da obra são orçadas e apresentadas em grupos menores, facilitando a organização do trabalho e a comunicação dos resultados. 

A ideia de “Orçamento Sintético”

Talvez uma das ideias mais interessantes para se produzir uma boa discriminação orçamentária seja focar no conceito de orçamento sintético.

Uma planilha orçamentária não é o único documento que o cliente pode ter em mãos para analisar o custo. O Caderno de Encargos, o Memorial Descritivo, as Normas de Execução, as Especificações de Insumos, o Detalhamento de Encargos Sociais, o Detalhamento do BDI, o Detalhamento do Custo Horário de Equipamentos (CHE) são, entre outros, documentos complementares que podem ser elaborados.  A função da planilha orçamentária da obra é apresentar os preços dos serviços orçados em um formato resumido que deixe claro, de uma forma prática e objetiva, quais são os custos das etapas de obras e de seus serviços.

Existe uma desatenção geral da ideia do orçamento sintético em obras públicas. Isso se manifesta na descrição extremamente detalhada dos serviços no nível mais baixo da planilha orçamentária. O nome de um serviço é uma frase com centenas de palavras. Dez serviços enchem uma folha de planilha.

Isso é feito por se acreditar que a planilha é o próprio contrato da obra e que, para não ocorrerem problemas durante a execução da obra, todos os detalhes relacionados com o fornecimento e a execução precisam ser descritos na planilha orçamentária. Na realidade, não existe a necessidade de trabalhar com longos nomes, pois a função de definir o serviço é de outros documentos. A planilha orçamentária deve mostrar um código, um nome simples (talvez um apelido), uma unidade, uma quantidade e um preço unitário. O excesso de informação transforma o orçamento em um longo romance que dificulta a compreensão do orçamento da obra.

O princípio de Pareto

A ideia de que aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas, que é aplicada em muitos tipos de análise, pode ajudar na definição da discriminação orçamentária. Não de forma direta, pois o orçamento da obra precisa incluir 100% dos serviços. Mas a percepção de que existem itens de pouquíssima participação financeira que ocupam espaço excessivo em uma planilha orçamentária, é bastante útil.

Por exemplo, listar centenas de insumos de conexões de instalações hidráulicas e elétricas como serviços do orçamento que, somados os custos, totalizam apenas alguns reais. Isso caracteriza, em nossa opinião, um excesso de detalhe que só confunde o leitor. Por que não considerar as conexões como parte dos serviços de tubulação. Ou não criar um serviço único de instalação de conexões hidráulicas e elétricas?

Estruturas padronizadas

A discriminação orçamentária tem alguns padrões que são comentados a seguir. Eles podem ser usados na criação de uma planilha orçamentária e na montagem do cronograma físico-financeiro do contrato. Por isso, é interessante conhecer os padrões existentes e tentar ajustá-los para cada caso específico. 

Discriminação orçamentária de obras públicas

Uma referência para organizar os componentes de um orçamento de obra pública é a classificação apresentada no Manual de Obras Públicas da Secretaria de Estado da Administração e do Patrimônio (SEAP). Este documento é indicado em publicação recente do Tribunal de Contas da União (TCU).

discriminação orçamentária SEAP
Capa Manual SEAP

A obra é dividida em 11 etapas construtivas, incluindo Serviços Técnicos-Profissionais, Instalações Mecânicas, Serviços Auxiliares e Administrativos e Serviços de Conservação e Manutenção, além das etapas mais comuns.

Discriminação orçamentária para incorporações imobiliárias

viabilidade econômica e financeira
Capa Norma 12721

A norma brasileira NBR 12.721 apresenta uma estrutura para a orçamentação de empreendimentos imobiliários. De modo que os itens e equipamentos a serem entregues ao comprador nas unidades do empreendimento são destacados. Os dados da norma servem de uma lista de verificação para garantir a elaboração de um orçamento completo.

Discriminação orçamentária PINI

estrutura orçamentária TCPO Pini
Discriminação orçamentária PINI

A Editora PINI publica há muitos anos o livro Tabelas de Composições de Preço para Orçamentos (TCPO). Ele contém uma estrutura orçamentária que é utilizada como base por muitas empresas no mercado, tanto por empresas públicas como por empresas privadas. Além disso, o livro apresenta milhares de composições de consumo unitário de serviços de construção civil.

Discriminação orçamentária personalizada

O grande desafio para o orçamentista consiste em criar uma estrutura orçamentária ideal. Isso exige uma personalização. Mesmo quando se parte de uma estrutura padronizada.

A fim de auxiliar na personalização da discriminação orçamentária, a MBS Engenharia oferece um curso de Orçamento de Obras que trata do assunto. Consulte a agenda e o programa deste curso no site mozart.eng.br.

Também são oferecidos serviços de consultoria para empresas e profissionais interessados em otimizar seus sistemas de orçamentação, no mesmo site.

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