Só aprendo vendo o professor

Esta é a frase que mais ouço ao oferecer cursos de ensino à distância aos meus alunos de cursos presenciais. E por ser colocada assim, como uma premissa ao aprendizado, vale a pena refletir um pouco sobre o seu conteúdo.

É óbvio que não se trata apenas de ver fisicamente o professor, desfrutar da sua companhia durante a aula e poder tirar algumas dúvidas no cafezinho. Professores de cursos técnicos não costumam ser tão atraentes quanto professores de Educação Física. O aluno quer sentir que seu professor tem uma boa presença em sala, domina a matéria e presta atenção nas dificuldades dos seus alunos. A presença física do professor tende a ser mais motivadora do que a leitura de um livro. Em cursos rápidos de formação continuada, a companhia do mestre é ainda mais decisiva. O tempo curto torna a produtividade ainda mais importante, obrigando o instrutor a compreender as necessidades do grupo e a contornar eventuais obstáculos que surjam durante a aula, de modo a garantir o melhor aproveitamento de todos.

O lado negativo é o custo da aula ao vivo. Um bom professor normalmente tem título de Mestre ou Doutor e pelo menos uns 10 anos de experiência prática relacionada ao tema que ensina. É comum o professor ser de outra cidade, o que insere custos de transporte aéreo, hospedagem, alimentação; além da necessidade de locação de uma boa sala de aula. Honorários e demais custos chegam a um valor elevado, que se torna viável apenas quando rateado por uns 30 alunos. Duas dicas para analisar a oferta de um curso barato: (1) Pesquise a idade do curso e o número de eventos, quanto maior for melhor (mínimo de 5 anos x 60 eventos). (2) Pelo currículo, avalie se o professor não está fazendo um bico (muito destaque para os empregos que já teve).

A questão principal é que a viabilização econômica da aula de curta duração interfere na definição do tema: para reunir 30 alunos o tema precisa ser mais geral, pois assuntos específicos têm uma audiência reduzida. Temas gerais incluem mais tópicos e geram uma abordagem mais superficial. É comum o aluno ter interesse em apenas um ponto do programa, mas para estudá-lo terá de participar da aula completa. Este fator faz com que os cursos rápidos tenham um nível básico e apresentem apenas os fundamentos dos assuntos apresentados. Sintetizando, a presença física é motivadora para cursos básicos que são oferecidos a preços econômicos.

Com o aumento da tecnologia, a opção de curso à distância vem se tornando cada vez mais real.

O curso rápido à distância resolve os problemas de custos e de profundidade. O fator essencial da solução é a ausência dos custos de mobilização do professor e da locação da sala de aula; e a possibilidade de viabilização do projeto didático a longo prazo, e não apenas em um evento de data fixa. Os temas podem ser preparados para públicos específicos com conteúdos mais aprofundados, por se considerar um investimento menor e um tempo de retorno maior.

O lado negativo do curso à distância é composto por aspectos técnicos e psicológicos. O aluno precisa ter acesso fácil à internet e dispor de computador e softwares exigidos no curso; e necessita confiar que a aula virtual esteja bem preparada, ou seja, que o raciocínio aplicado no plano de aula esteja suficientemente claro para ser compreendido isoladamente e que o software da aula à distância funcionará sem problemas. O curso precisa garantir uma presença virtual, materializada através da oferta de apoio rápido de monitores ou do próprio professor, no caso de ocorrer algum tipo de interrupção.

Às vezes, o curso à distância é a única opção, quando não existe um evento físico ao vivo na cidade do aluno que ensine o tema desejado. Mas, em nossa opinião, a aula EAD é a mais indicada para alunos mais habituados com a tecnologia apreenderem temas diferenciados de forma econômica.

Professor Mozart Bezerra da Silva